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É de contrariar tendências do mundo pós-moderno que são(?) tidas como certeza para este século. Ou apenas uma mudança de perspectiva. Uma brasileira espancada e esfaqueada supostamente por ser brasileira (ou que inventou todo o caso e essa justificativa para fazer escarcéu na imprensa - o que seria pior, numa análise sociológica?), e logo os comunicadores apontaram uma conexão do ocorrido com leis antiimigração e novos planos de governo adotados por alguns países desenvolvidos, incluindo Inglaterra e Estados Unidos, que visam estimular a política interna com geração de empregos e movimentação de capital, mão-de-obra e matéria-prima dentro de seu próprio país.
Ou seja: vem a mídia com uma provável tentativa de ser o instrumento principal de uma redefinição de globalização, um conceito à distância, hiper-real. “Nacionalismo aumenta! Será o fim do sonho americano, ou de algum outro sonho estrangeiro?” Uma espécie de castração: “Está perigoso. Olhe, mas não toque.” Ou algo tecnologicamente mais avançado: “Busque alternativas virtuais... É como se tocasse, mas não toca de fato... e é mais seguro.” Um alarme falso, mas quem se importa? O foco no medo do desconhecido, nas fobias, uma tentativa de bloquear a esperança e os vôos altos em busca de um mundo fraterno, com problemas muito sérios a resolver (a questão ambiental, por exemplo, nada mais global nesta ou em qualquer outra era), é uma alternativa fácil de abordagem. Já ficou antiquada. Extremamente antiética.
Coberturas de casos como o de Paula Oliveira desvirtuam diversos conceitos importantes e emergentes sobre questões como Crimes de Ódio e Anticidadania e aproveitam-se de uma situação mundial vulnerável para resgatar sentimentos desgastados. De certa forma, com tantas possibilidades de chegarmos mais perto de uma reavaliação da moral, optamos por aguçar nossa insensibilidade com todas as informações que recebemos sobre o que se passa no mundo. Subdesenvolvidos se autoflagelam, e firmes e fortes ficam os partidos e grupos de “extrema”, que silenciosamente contribuem com sua parcela para manter a desordem mundial.
[Redações não mudam o mundo.]
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