sexta-feira, 29 de maio de 2009

Descobri "Para Ler e Guardar", de H. Hesse, e percebi como nossas mentes podem ser práticas. Entenda-se "curtas e grossas". Ok, preguiçosas, whatever.

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"Em última análise, toda arte, e especialmente a poesia, tem de justificar sua existência pelo fato de não apenas nos proporcionar prazer, mas agir também diretamente em nossa vida, como conforto, como ensinamento, como advertência, como ajuda e apoio, seja para suportarmos a vida em si mesma, seja para vencermos suas dificuldades." (330)

[Introversão é A tendência, forever.]
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Muito prazer, Philip Roth. [Ele explica!]

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"Combatemos nossa superficialidade, nossa falta de profundidade, de modo a tentarmos nos aproximar dos outros livres de expectativas irreais, sem uma sobrecarga de preconceitos, esperanças, arrogância, da forma menos parecida com o avanço de um tanque, sem canhão, sem metralhadoras e sem chapas de aço de quinze centímetros de espessura; a gente se aproxima das pessoas da forma menos ameaçadora, de pés descalços, em vez de vir rasgando o capim com as esteiras do trator, recebe o que elas dizem com a mente aberta, como iguais, de homem para homem, como dizíamos antigamente, e mesmo assim a gente sempre acaba entendo mal as pessoas. A gente pode também possuir o cérebro de um tanque.

Já estamos entendendo errado as pessoas antes mesmo de encontrá-las, enquanto ainda estamos prevendo o que vai acontecer; entendemos errado enquanto estamos diante delas; e depois vamos para casa e contamos a alguém sobre o encontro, e de novo entendemos tudo errado. Uma vez que a mesma coisa acontece com os outros em relação a nós, tudo vira uma ilusão desnorteante, destituída de qualquer percepção, uma espantosa farsa de incompreensões. E, com tudo isso, o que é que vamos fazer a respeito dessa questão profundamente significativa que são as outras pessoas, que se vêem drenadas de toda a significação que julgamos ser a delas e adquirem, em vez disso, um significado burlesco, o que vamos fazer se estamos tão mal equipados para distinguir os movimentos interiores e os propósitos invisíveis uns dos outros?

Será que todo o mundo devia trancar a porta de casa e ficar quieto, isolado, como fazem os escritores solitários, em uma cela à prova de som, invocando as pessoas por meio de palavras e depois sugerindo que estas pessoas feitas de palavras estão mais próximas das coisas reais do que as pessoas reais que deturpamos todos os dias com a nossa ignorância? Persiste o fato de que entender direito as pessoas não é uma coisa própria da vida, nem um pouco. Viver é entender as pessoas errado, entendê-las errado, errado e errado, para depois, reconsiderando tudo cuidadosamente, entender mais uma vez as pessoas errado. É assim que sabemos que continuamos vivos: estando errados. Talvez a melhor coisa fosse esquecer se estamos certos ou errados a respeito das pessoas e simplesmente ir vivendo do jeito que der. Mas se você é capaz de fazer isso… bem, boa sorte."
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sexta-feira, 22 de maio de 2009

"Dezenove de Junho - O Dia da Fagulha" ou "Goldschneider & Elffers Explicam!"

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As pessoas nascidas no dia 19 de junho trazem à tona o que há de melhor e de pior nos outros. Raramente se deparam com a apatia, pois provocam respostas intensas, mesmo quando parecem não estar agindo de maneira provocadora. Sua mera presença pode ser de certo modo intimidante, e, portanto, gerar antagonismo, mas seu vigor e força talvez inspirem também admiração.



As mulheres nascidas nesse dia são muito persuasivas, objetivas e, em geral, sabem exatamente o que desejam, seja progresso na carreira ou na educação, uma relação emocional gratificante ou estabilidade financeira. Os homens deste dia, por outro lado, são geralmente estáveis, persistentes, independente do destino que os aguarda (mas são igualmente motivados). Tanto os homens quanto as mulheres nascidas nesse dia tendem a fazer com que os acontecimentos à sua volta se intensifiquem.



Embora as pessoas nascidas no dia 19 de junho sejam admiráveis por raramente, ou jamais, render-se a pressões externas, elas podem, eventualmente, ser inflexíveis, quando um espírito de concessão facilita as coisas para elas. Seja correta ou não a sua interpretação, podem encarar essa concessão como uma traição aos seus desejos, crenças ou aspirações.



As pessoas nascidas no dia 19 de junho são bastante estimulantes, capazes de motivar o indivíduo mais indolente. Suas fortes convicções e coragem para agir servem, definitivamente, como um exemplo positivo. Embora seus métodos para motivar os outros possam parecer um remédio forte demais, não se pode negar que um bom empurrão é necessário de vez em quando. E, embora os outros possam sentir algum ressentimento por serem mobilizados, normalmente apreciam as boas intenções dos nascidos em 19 de junho.



A incapacidade ou recusa em reconhecer limitações em si próprio e no seu papel social talvez seja um grande problema para as pessoas nascidas no dia 19 de junho. Mobilizar-se excessivamente ou rápido demais não apenas os expõe ao risco de um esgotamento como pode realmente levá-los a uma situação difícil. Talvez atuem bem sob estresse, até mesmo se sobressaindo, mas, com o tempo, esse estresse cobra deles o seu preço. Os nascidos neste dia devem levar em consideração os efeitos do seu estilo de vida intenso sobre suas famílias e sobre as pessoas a quem amam, que talvez não estejam preparados para tanto esforço.



Se os nascidos em 19 de junho puderem intensificar sua percepção do que acontece em seu íntimo e no mundo à volta deles, evitarão a exaustão, aumentando suas chances de êxito. Permitir-se o luxo da escolha, a liberdade de ocasionalmente contornar os obstáculos (em vez de confrontá-los) é um grande passo na direção certa.




PONTOS FORTES
Envolvido
Persistente
Inclinado a desafios
PONTOS FRACOS
Provocativo
Problemático
Inconsciente
CONSELHO
Seja um pouquinho mais contemplativo. Evite prender-se a apenas uma orientação ou papel. Leve em conta os sentimentos dos outros e permaneça aberto a entendimentos.




MEDITAÇÃO
Não aposte corrida com um guepardo.
Não lute com um canguru.


[Do livro A Linguagem Secreta dos Aniversários]
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domingo, 17 de maio de 2009

A vitória está do seu lado.

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Eu sabia desde o início. Nunca pensei outra coisa.
Houve só um tempo em que sonhei meus sonhos mais alto.
Como é comum na vida de cada um.
De quem você sente falta? O que você não tem?
Ou você está bem agora?
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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Generosidade com bêbado.

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A doida derrubou o arroz que sobrou do churrasco dentro do taxi.
E estava tudo bem pra ela.

A doida não sabia se ria ou se chorava.
Se queria ou não ajuda.

A doida era a razão de termos pego um taxi,
mas não pagou um centavo da viagem.

Generosidade com bêbado, de imediato,
é feito enxugar gelo.

Magina só:

Pra ela, naquele singelo momento,
até sem arroz sujando todo o carro,
sem ser piada ou história triste,
sem ter mão amiga,
pagando o taxi
ou apenas considerando o motorista,
haveria diversão.
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terça-feira, 12 de maio de 2009

Fazer sem sentir...

é uma coisa engraçada.

A incomunicabilidade é tanta,
que qualquer esboço de conto de fadas é bem-vindo.

Eis a vida:
quanto maior é o sofrimento,
menor é a chance de um clímax.
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segunda-feira, 11 de maio de 2009

"...possibilidade de amor." ou "F. Abreu Explica!" [E cada um transfere para seu pequeno mundo.]

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"Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.

Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.

Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.

Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível". Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.

De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.

Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.

Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome."

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domingo, 10 de maio de 2009

[Gosto tanto dos desesperados...]

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Se tu estás tão feliz
e tão certo
é porque tiveste uma noite inteira de descanso ou de fanfarra
não de um meio termo.

Não recriminaste
não julgaste
não te defendeste do que é inofensivo a ti
mas ofensivo a uma sociedade.

Ou...

Te masturbaste
e não incomodaste ninguém.

Talvez não haja nada a dois [ou mais]
que não inclua o incômodo.

Superaste isto também.
Tarde demais.

Mas disseste tudo o que tinha a dizer.
Não foi o bastante, mas foi tudo.

Tentaste.
Tarde demais.

Tiveste tanto a mostrar.
Mas ninguém a ver.

Desperdiçaste.
Não entendeste nada em tempo real.
Só em tempo de sonho e de queda na realidade.

Achaste-te e perdeste-te inúmeras vezes.
Nunca em sintonia com qualquer outro ser da sua espécie.

E agora encontra-te com tanto a dizer
como há anos atrás,
mas assim encontram-se todos.

Resta encontrar uma forma
e [talvez] um tempo.

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quarta-feira, 6 de maio de 2009