quarta-feira, 24 de outubro de 2012

"Minha Palavra Sou Eu", ou "Os Guarani-Kaiowá Explicam!"

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“A palavra é a unidade mais densa que explica como se trama a vida para os povos chamados guarani e como eles imaginam o transcendente. As experiências da vida são experiências de palavra. Deus é palavra. (...) O nascimento, como o momento em que a palavra se senta ou provê para si um lugar no corpo da criança. A palavra circula pelo esqueleto humano. Ela é justamente o que nos mantém em pé, que nos humaniza. (...) Na cerimônia de nominação, o xamã revelará o nome da criança, marcando com isso a recepção oficial da nova palavra na comunidade. (...) As crises da vida – doenças, tristezas, inimizades etc. – são explicadas como um afastamento da pessoa de sua palavra divinizadora. Por isso, os rezadores e as rezadoras se esforçam para ‘trazer de volta’, ‘voltar a sentar’ a palavra na pessoa, devolvendo-lhe a saúde.(...) Quando a palavra não tem mais lugar ou assento, a pessoa morre e torna-se um devir, um não-ser, uma palavra-que-não-é-mais. (...) Ñe'ẽ e ayvu podem ser traduzidos tanto como ‘palavra’ como por ‘alma’, com o mesmo significado de ‘minha palavra sou eu’ ou ‘minha alma sou eu’. (...) Assim, alma e palavra podem adjetivar-se mutuamente, podendo-se falar em palavra-alma ou alma-palavra, sendo a alma não uma parte, mas a vida como um todo.”

Da antropóloga Graciela Chamorro.
Fonte: Revista Época.
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Adulta Juventude

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Como um bom mau geminiano, sigo multifacetando minha energia vital. Até agora, tive alguns resultados razoáveis, algumas experiências. Sigo realizando tentativas sonhadas. Por tantos porquês, ainda guardo, escrevo e procuro a expressão pela qual posso figurar como algo mais do que uma boa média.

Trata-se não só desta ou daquela prática, semigerada de um empurra-empurra social, de um caminhar metastático ao horizonte do próximo passo, mas da tal razão de ser um acontecimento respirante, estar em seu todo-lugar, parecer com seus ícones, permanecer iluminado, escapar da imémore morte; esta razão à qual atribuímos nossas idealizações; esta caixa onde está guardada a paixão, o suor, e as lágrimas que nos movem.

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sábado, 13 de outubro de 2012

Approach

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Escrito com primeiras pessoas. Prego-me na cruz - apenas metaforicamente, sem culpa, ressentimento ou ideia fixa quaisquer.

É que, como quase todos os pensamentos que constam neste blog, este resulta de rascunhos feitos ao curso dos dias, costurados, remendados, adaptados ao ambiente, impulsivamente.

São autoanálises criativas, olhares para futuros, passados e presentes, próximos e distantes.

Olhares mais inofensivos a mim mesmo.
Crescimento espiritual.

Se ainda constam aqui, é porque mantiveram ou ampliaram sua razão de ser.

O heterônimo não o é à toa.

O é porque consegue se desvencilhar das limitações projetivas de seu criador.

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Ultimamente, a cada minuto, chega alguém com uma nova proposta de approach entre as pessoas, supostamente definitiva (ou definitivamente copiada), esperando, creio eu, eliminar todos os desafetos do mundo. Mas ainda conseguem criar novos - e de repente, até mais desafetos do que os que possuam, de fato, esta intenção, propriamente dita. Eis a incompreensão, se alastrando mais uns cantos... assim como a superficialidade.

Não adianta complicar o que é simples e primitivo.
Profetas, filósofos, mahatmas... Ninguém consegue a unanimidade.
Nem por alcance, nem por aceitação.

Mas não me refiro a desordens ou diferenças essenciais entre os seres com a expressão "simples e primitivo". Me refiro ao material bruto que sobrevive intacto a cada novo insight: as expressões originais da existência humana que sufocamos na ordem atual, mas que sempre existiram e existirão; os códigos que surgiram do instinto inocente dos primórdios e os novos, racionalmente incorporados.

Enfim.
Pior mesmo é quem cria approaches buscando novos desafetos.
(Será que acabei de cometer este engano, com o nome Approach?)

Mas foi sem querer querendo!

Fazer o bem é não faltar com a generosidade.
Não violentar por ocultar a verdade.
Dizer a verdade sem violentar.

No entanto...
Qual a melhor forma de dizer o que tem de ser dito, senão... aquela como dizemos, certo? Teoricamente, tudo o que é dito deveria ter passado pelos seus devidos filtros.

Mas não tem mais como eu errar o julgamento, a postura, eu já amadureci, evoluí meus pensamentos... É impossível eu ter errado o tom, o vocábulo, a pontuação, a retórica! Sou adulto!

Exceto que... eu ainda erro. A criança em todos nós.

Tenho 24 horas por dia e minhas próprias circunstâncias.
E ainda tenho que dormir.

Persigo o domínio mental de tudo isto.
Acordo melhor amanhã, pronto para novos e despercebidos equívocos.
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