segunda-feira, 27 de julho de 2009

O Ácido Quer Doce!

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A fé já é outra. O espírito é o mesmo.
Ânsia de tempos melhores, sim.

Mas enquanto houver tanto tiro no pé e desencontros, em todos os sentidos, não abrirei mão do meu lado revoltado... só tomando cuidado pra não cair na armadilha da demagogia.

No máximo, amo. No MÍNIMO, respeito.

Tudo que odeio, o faço em segredo, porque tenho certeza que isso é fruto do desentendimento e das burras pretensões humanas. Me afasto e, à distância, o meu ódio vai embora e não me consome. Vem outra coisa no lugar.

Mas não me odeie, caro(a), porque você vai alimentar isso pelo resto da sua vida. Não mudo uma palha por quem me odeia. Mudo pela minha própria sensibilidade.

Indiferente só fico ao que ainda não conheço.
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domingo, 26 de julho de 2009

Tempo 2.0

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Contemporâneo é de fato esquecer que vivemos num Tempo, composto por quase sete bilhões de tempos individuais e governado por poucas (e boas?) almas, as mais megalomaniacas. É organicamente um requisito.

Supera qualquer mera manifestação de vaidade. Como esta aqui. O "quem sou eu" definitivo numa ampla rede social.
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sábado, 18 de julho de 2009

"Entrelinhas: Como São Criados Astros & Estrelas", ou "Tom Zé Explica!"

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Fiz o disco “Estudando o Samba” em 1976. É claro, eu achei que tinha inventado uma novidade, uma coisa diferente de tudo na música brasileira. O tempo foi passando, 1976, 1977, 1978, e ninguém falava nada do disco. Eu também desisti dele aquela altura. Em 1984, uma pessoa me pediu para eu copiar do LP de Estudando o Samba duas músicas para ela usar não me lembro para quê. Aí coloquei numa vitrola e o microfone do gravador perto para copiar. Quando eu coloquei o disco para tocar fiquei na porta do quarto, comecei a ouvir e imediatamente pensei:‘puxa vida! Fui eu que fiz isso. Caramba, isso é bom demais. Pôxa, e ninguém ouviu, ninguém falou nada? Que é que eu sou, sou uma praga? Tira isso da minha frente, eu não quero mais saber disso, senão eu vou ficar louco”.

Isso mesmo. Em 1989, eu falei para a Neusa que ia largar tudo isso. A essa altura do campeonato o David Byrne já estava com o meu disco. Ele levou o disco em 1986. Ele comprou numa loja aqui em São Paulo. Mais tarde ele me contou que chegou na loja e viu a capa de um disco e conseguiu ler as palavras “Samba” e “Estudando”. E viu embaixo a ilustração de corda e arame farpado. Ele me disse que pensou qual relação teria o samba com corda e arame farpado. Pensou na ditadura militar aqui no Brasil. Muito bem, comprou o disco e levou para os Estados Unidos. Chegando lá, um belo dia ele botou para tocar. Já nos primeiros acordes ele conta que parou e disse: “isso não é samba, é muito bom!”. Imediatamente ligou para um amigo aqui no Brasil na tentativa de saber que era o cara daquele disco. E ele foi, foi ligando, tentando e não havia meios de me achar. Aconteceu que teve até o Caetano no meio disso. Quando a notícia chegou a mim, eu já estava com tudo pronto para voltar para Irará, para trabalhar num posto de gasolina lá. Não queria mais saber de nada. Falei para a Neusa: “Vamos voltar para lá, trabalhar para ficar um pouco mais contente, atender as pessoas como eu fazia na loja de meu pai e acabou”. Já estávamos também pedindo a transferência de Neusa para o Sesi de Feira de Santana, que fica pertinho de Irará. Então, quando veio no jornal a notícia de que o David Byrne estava a minha procura eu liguei para o Caetano, porque eles eram amigos. Aí liguei, “Caetano, eu li uma nota aqui no jornal que diz que o David Byrne está interessado em mim” Aí ele disse: “Não, deve ser o Tuzé de Abreu, que é amigo dele.”

Depois disso eu telefonei para o Zé Miguel Wisnik, mas ele estava viajando. Quando ele voltou de viagem ele me ligou. Aí eu falei assim: “Não é nada não Zé. Foi um negócio aí que eu me enganei. É mais um dos enganos que vêm na minha vida, já estou tão acostumado a levar porrada de tudo nessa vida, mas não é nada não”. E ele insistiu: “Mas o que é que foi?” “Não é que teve uma história aqui de que David Byrne estava me procurando, mas Caetano já me falou que não era nada comigo, que era com o Tuzé de Abreu”. E já ia me despedindo dele quando ele desesperado lá do outro lado da linha: “Peraí, peraí Tom Zé, não desligue não!”. “O Tom Zé que eu ouvi falando lá na porta do teatro antes do show do David Byrne é você sim! Quando eu entrei no teatro, me falaram a mesma coisa, quando acabou o show, outras pessoas me falaram que era você quem o David Byrne estava procurando”. Aí eu voltei a acreditar. Liguei para o Roberto Santana, um primo meu que é produtor. “Torne-se um alvo visível”, ele me disse. Na hora até ri, parecia coisa do Exército, mas depois fiquei imaginando de que modo eu me tornaria um alvo visível. (risos)
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sábado, 11 de julho de 2009

Nem todo conteúdo é mensagem digna de ser lida. Mas só se descobre lendo.

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Há a ausência no gesto. A necessidade na fala.
A procura na compreensão. A vaidade no afeto.
A solitude ao esquecer e a solidão ao lembrar.
Há também a chance de não perguntar.
E não saber. E entender mais.

Envolver a presença no gesto,
a vontade na fala,
a satisfação na procura,
a humildade no afeto,
a solitude ao lembrar.

Há a chance de sempre perguntar.
E saber. E entender menos.
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