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Fiz o disco “Estudando o Samba” em 1976. É claro, eu achei que tinha inventado uma novidade, uma coisa diferente de tudo na música brasileira. O tempo foi passando, 1976, 1977, 1978, e ninguém falava nada do disco. Eu também desisti dele aquela altura. Em 1984, uma pessoa me pediu para eu copiar do LP de Estudando o Samba duas músicas para ela usar não me lembro para quê. Aí coloquei numa vitrola e o microfone do gravador perto para copiar. Quando eu coloquei o disco para tocar fiquei na porta do quarto, comecei a ouvir e imediatamente pensei:‘puxa vida! Fui eu que fiz isso. Caramba, isso é bom demais. Pôxa, e ninguém ouviu, ninguém falou nada? Que é que eu sou, sou uma praga? Tira isso da minha frente, eu não quero mais saber disso, senão eu vou ficar louco”.
Isso mesmo. Em 1989, eu falei para a Neusa que ia largar tudo isso. A essa altura do campeonato o David Byrne já estava com o meu disco. Ele levou o disco em 1986. Ele comprou numa loja aqui em São Paulo. Mais tarde ele me contou que chegou na loja e viu a capa de um disco e conseguiu ler as palavras “Samba” e “Estudando”. E viu embaixo a ilustração de corda e arame farpado. Ele me disse que pensou qual relação teria o samba com corda e arame farpado. Pensou na ditadura militar aqui no Brasil. Muito bem, comprou o disco e levou para os Estados Unidos. Chegando lá, um belo dia ele botou para tocar. Já nos primeiros acordes ele conta que parou e disse: “isso não é samba, é muito bom!”. Imediatamente ligou para um amigo aqui no Brasil na tentativa de saber que era o cara daquele disco. E ele foi, foi ligando, tentando e não havia meios de me achar. Aconteceu que teve até o Caetano no meio disso. Quando a notícia chegou a mim, eu já estava com tudo pronto para voltar para Irará, para trabalhar num posto de gasolina lá. Não queria mais saber de nada. Falei para a Neusa: “Vamos voltar para lá, trabalhar para ficar um pouco mais contente, atender as pessoas como eu fazia na loja de meu pai e acabou”. Já estávamos também pedindo a transferência de Neusa para o Sesi de Feira de Santana, que fica pertinho de Irará. Então, quando veio no jornal a notícia de que o David Byrne estava a minha procura eu liguei para o Caetano, porque eles eram amigos. Aí liguei, “Caetano, eu li uma nota aqui no jornal que diz que o David Byrne está interessado em mim” Aí ele disse: “Não, deve ser o Tuzé de Abreu, que é amigo dele.”
Depois disso eu telefonei para o Zé Miguel Wisnik, mas ele estava viajando. Quando ele voltou de viagem ele me ligou. Aí eu falei assim: “Não é nada não Zé. Foi um negócio aí que eu me enganei. É mais um dos enganos que vêm na minha vida, já estou tão acostumado a levar porrada de tudo nessa vida, mas não é nada não”. E ele insistiu: “Mas o que é que foi?” “Não é que teve uma história aqui de que David Byrne estava me procurando, mas Caetano já me falou que não era nada comigo, que era com o Tuzé de Abreu”. E já ia me despedindo dele quando ele desesperado lá do outro lado da linha: “Peraí, peraí Tom Zé, não desligue não!”. “O Tom Zé que eu ouvi falando lá na porta do teatro antes do show do David Byrne é você sim! Quando eu entrei no teatro, me falaram a mesma coisa, quando acabou o show, outras pessoas me falaram que era você quem o David Byrne estava procurando”. Aí eu voltei a acreditar. Liguei para o Roberto Santana, um primo meu que é produtor. “Torne-se um alvo visível”, ele me disse. Na hora até ri, parecia coisa do Exército, mas depois fiquei imaginando de que modo eu me tornaria um alvo visível. (risos)
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Fiz o disco “Estudando o Samba” em 1976. É claro, eu achei que tinha inventado uma novidade, uma coisa diferente de tudo na música brasileira. O tempo foi passando, 1976, 1977, 1978, e ninguém falava nada do disco. Eu também desisti dele aquela altura. Em 1984, uma pessoa me pediu para eu copiar do LP de Estudando o Samba duas músicas para ela usar não me lembro para quê. Aí coloquei numa vitrola e o microfone do gravador perto para copiar. Quando eu coloquei o disco para tocar fiquei na porta do quarto, comecei a ouvir e imediatamente pensei:‘puxa vida! Fui eu que fiz isso. Caramba, isso é bom demais. Pôxa, e ninguém ouviu, ninguém falou nada? Que é que eu sou, sou uma praga? Tira isso da minha frente, eu não quero mais saber disso, senão eu vou ficar louco”.
Isso mesmo. Em 1989, eu falei para a Neusa que ia largar tudo isso. A essa altura do campeonato o David Byrne já estava com o meu disco. Ele levou o disco em 1986. Ele comprou numa loja aqui em São Paulo. Mais tarde ele me contou que chegou na loja e viu a capa de um disco e conseguiu ler as palavras “Samba” e “Estudando”. E viu embaixo a ilustração de corda e arame farpado. Ele me disse que pensou qual relação teria o samba com corda e arame farpado. Pensou na ditadura militar aqui no Brasil. Muito bem, comprou o disco e levou para os Estados Unidos. Chegando lá, um belo dia ele botou para tocar. Já nos primeiros acordes ele conta que parou e disse: “isso não é samba, é muito bom!”. Imediatamente ligou para um amigo aqui no Brasil na tentativa de saber que era o cara daquele disco. E ele foi, foi ligando, tentando e não havia meios de me achar. Aconteceu que teve até o Caetano no meio disso. Quando a notícia chegou a mim, eu já estava com tudo pronto para voltar para Irará, para trabalhar num posto de gasolina lá. Não queria mais saber de nada. Falei para a Neusa: “Vamos voltar para lá, trabalhar para ficar um pouco mais contente, atender as pessoas como eu fazia na loja de meu pai e acabou”. Já estávamos também pedindo a transferência de Neusa para o Sesi de Feira de Santana, que fica pertinho de Irará. Então, quando veio no jornal a notícia de que o David Byrne estava a minha procura eu liguei para o Caetano, porque eles eram amigos. Aí liguei, “Caetano, eu li uma nota aqui no jornal que diz que o David Byrne está interessado em mim” Aí ele disse: “Não, deve ser o Tuzé de Abreu, que é amigo dele.”
Depois disso eu telefonei para o Zé Miguel Wisnik, mas ele estava viajando. Quando ele voltou de viagem ele me ligou. Aí eu falei assim: “Não é nada não Zé. Foi um negócio aí que eu me enganei. É mais um dos enganos que vêm na minha vida, já estou tão acostumado a levar porrada de tudo nessa vida, mas não é nada não”. E ele insistiu: “Mas o que é que foi?” “Não é que teve uma história aqui de que David Byrne estava me procurando, mas Caetano já me falou que não era nada comigo, que era com o Tuzé de Abreu”. E já ia me despedindo dele quando ele desesperado lá do outro lado da linha: “Peraí, peraí Tom Zé, não desligue não!”. “O Tom Zé que eu ouvi falando lá na porta do teatro antes do show do David Byrne é você sim! Quando eu entrei no teatro, me falaram a mesma coisa, quando acabou o show, outras pessoas me falaram que era você quem o David Byrne estava procurando”. Aí eu voltei a acreditar. Liguei para o Roberto Santana, um primo meu que é produtor. “Torne-se um alvo visível”, ele me disse. Na hora até ri, parecia coisa do Exército, mas depois fiquei imaginando de que modo eu me tornaria um alvo visível. (risos)
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