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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Meio Amargo

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Discernir
quando escolhemos a solitude
e quando escolhem por nós a solidão.

Dilemas de um intro que quer ser extro.

Mas esta sociedade virtualizada... tornando o ódio virtualizado...

Um perfil de rede social, uma conversa com alguém que conhece alguém que conhece... e pronto. Você já me conhece. Já me odeia. Já sente nojinho. Com convicção. Ou ama! Ou quer amar.

Não entende - o que é totalmente natural, afinal, não entendemos nada minimamente perto do tudo. Mas não poderíamos dormir com esta, não? Bom mesmo é dormir achando que tudo e todos ao redor de mim estão essencialmente compreendidos.




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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Onde Os Poetas Não Têm Vez

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Que momento-lugar é esse, em que você não se encontra?
Falta algo na projeção. Falta posição.
Falta escolher uma opção dentre as já existentes.
Falta ser assim visto.

Será que sou um inventor?
Onde estão minhas asas?
Dane-se. Vou criar novas.
Enquanto isso, vou de ônibus.
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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Fórmula

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É engraçado, nos momentos em que penso na expectativa dos outros em vez das minhas. Algo que sempre adorei fazer: conseguir estas perspectivas, estes planos. Intercalá-los com os meus - o que pode ser apenas uma grande expectativa. E muitas vezes é. Exposta para o outro ver e, quem sabe, pensar nela. Se não for antes uma adivinhação minha.

E desta maneira, brevemente, quebras de expectativa não se passam por decepções e sim por momentos muito divertidos. Até se revelarem pequenos desperdícios de esclarecimento. Atrasos que entristecem. Azedos equívocos, irreparáveis. Talvez inevitáveis, talvez mera expectativa sobre expectativa. É porque os porquês nutrem a alma. Ou a mente. Exatamente do jeito que ela precisa. Ou quer. Ou os dois. Ou os quatro. Ou falsa expectativa.

Expectativa gera pretensão, que gera afirmação. Chamada por vezes de verdade e, sem negar sua descrição, sendo de fato uma dentre inúmeras verdades. "Conformidade da ideia com o objeto!, do dito com o feito, do discurso com a realidade", diz o dicionário. E eis a descrição mais esclarecedora desta que é a maior das expectativas.
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Me deparei com muitas tristezas... querendo felicidade.

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Tenho 12 anos. É um fim de semana. É noite. Estou brincando na rua, feliz, com meus amigos. Em minha mente e meu espírito. Confio nisso. Eles são meus amigos. Eles estão COMIGO. Eles desejam minha companhia. Eles estão se comportando estranhamente. Eles saem correndo e entram na casa de um deles. Eu grito desesperado e os chamo de folgados. Eles voltam, me ameaçam, me expulsam. Eu subo ao meu apartamento [, 3º andar], o prédio fica ao lado daquela casa. A janela do meu quarto idem. Quando chego [lá] e abro a janela, ouço um deles falando que tem nojo de mim. Que não suporta ouvir minha voz. Os demais concordam. Eles não desejam minha presença. Choro muito. Grito para o meu travesseiro. Rezo para aquilo não estar acontecendo de verdade. Pergunto se um dia ainda me recupero por completo, e quando chegará esse dia. Sonho. Durmo.

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Aaaaah
Aaaaaaaaaah
Aaaaaaaaaaaaaaaaaah

Refestança dança, daaaança, daaaaança,
Daaaaaaaança quem pode dançaaaar
Refestança canta, caaaanta, caaaaanta,
Caaaaaaaaaanta quem pode cantaaaaaaa aaa aar

Na hora aqui agora quando a banda tocar
Senhoras e senhores, crianças vamos voar
Voar, voar, podem desatar os cintos de segurança
Que a esperança é vontade
Que a bonança é verdade
Que a verdade é amar

Aaaaaaaah
Aaaaaaaaaaaaah
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaah
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

Refestança dança, daaaança, daaaaança,
Daaaaaaaança quem pode dançaaaar
Refestança canta, caaaanta, caaaaanta,
Caaaaaaaaaanta quem pode cantaaaaar

Só não pode quem não quiser
Ver que o céu da Terra é azuuuuuul
Ver que o verde é verde
Que a vida viaja
Que com a vida a gente vaaaaaai

Vaaaai
Vaaaaaaaaaai
Vaaaaaaaaaaaaaaaaaai

Ai...
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quarta-feira, 25 de março de 2009

"Avoado" (ou "Perrrdido de Amorrr!")

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[de 05/08/2007... para um outro blog, extinto, também de Baixa Frequência - com o perdão do trocadilho]

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No ônibus, enquanto ouve operários falando sobre fôtêból e comêda na mesa, preparada pela mulher. "Todos tem seu refúgio. Menos aquela mulher. E aquela. E aquela."

Em casa, enquanto sua mãe supervaloriza a performance da Íris Stefanelli no TV Fama. "Você a ama acima de tudo. Isso, sua mãe. A Íris... tá aproveitando, né?"

No semi-trampo, enquanto o chefe lhe diz "Você precisa amadudecer para ontem, muleque" e arrota um "Bufff" fétido bem na sua cara. "É um processo lento para alguns... AAAnd I'm outta here."

No cinema multiplex/teatro, quando pisam em falso no degrau que está ao seu lado, tal como ele havia feito em momentos passados. "O que eu não quero para mim, eu não faço para os outros. Não ria, Avoado! Não ria!"

Tudo rende estudos filosóficos para ele. Tudo o desconcentra. Mas seu caminho de reflexão é, na verdade, um ciclo de reflexão que só se completa quando o foco torna a ser sua própria condição:

"Eu estou fud... opa, perrrdido de amorrr, e não tenho esses olhos para mais ninguém. Ao mesmo tempo que tenho para todo mundo. Compreeeeeende? Estou olhando para o mundo, porque assim quero e assim sinto, mas meus olhos não mais me pertencem. Vejo meu amor e é como se não tivesse o menos absoluto controle sobre eles. Quer dizer, não seria bem controle... De certo não temos poder algum sobre nossos olhos, mas aprendemos bastante sobre eles com o passar do tempo e acabamos pegando certa manha de brincar com esse não-poder. É uma defesa tão automática... tão óbvia... tão enraizada. Luto o quanto posso para me desfazer dela. É uma defesa inútil. Talvez o melhor a fazer seja mesmo ter um amor.

Pelo menos um."
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